Zara Larsson fala sobre feminismo e conta porque é sem filtro nas redes sociais ◂ Zara Larsson Brasil


Zara Larsson fala sobre feminismo e conta porque é sem filtro nas redes sociais

Zara Larsson fala sobre feminismo e conta porque é sem filtro nas redes sociais



Além de cantar “So Good“, “Only You” e “Lush Life” na Paper Magazine, Zara Larsson deu uma entrevista e falou sobre direitos humanos, feminismo, Trump e sobre algumas situações que ela já precisou enfrentar no estúdio. Confira a tradução:

PM: Hey, So Good é… cara, é muito bom, razão pela qual você o chamou assim. Me conte mais sobre ter trabalhado com Ty Dolla, o que com certeza foi um sonho.

Z: Oh, muito obrigada. Honestamente Ty é praticamente a única pessoa que eu realmente surtei. Tipo, eu ‘fiz a fangirl’, mas no limite. Eu não acho que ele sabe o quão fã eu sou, ele é realmente um dos meus artistas favoritos. Ele é tão tranquilo e calmo e legal então eu tentei ser tão calma quanto ele, eu acho que eu mandei bem.

PM: Amei. Tem alguém com quem você está animada para trabalhar junto?

Z: Eu amaria [trabalhar com a] Nicki.

PM: Minaj? Seria um ótimo combo – você está entrando no reino do RnB.

Z: Né? Eu também acho! Digo, eu também gostaria de trabalhar com a Kehlani. Anderson Paak. Bryson Tiller. Charlie XCX seria muito legal — tem tantas pessoas. Mas se eu trabalhar com eles, quero que isso seja recíproco, que eles também queiram trabalhar comigo. Não apenas tipo, “Oh nós vamos realizar esse seu sonho.”

PM: Deve ser muito louco ainda estar no ensino médio e experienciar esse tipo de sucesso. Eu consigo imaginar que é muito contra-intuitivo ter todas essas matérias quando você já está bem estabilizada no seu campo de escolha.

Z: Eu não vejo a hora de terminar. Você precisa de uma grande disciplina para fazer o que você não quer fazer. Tipo, eu não vou para a faculdade! Durante toda a minha vida eu soube o que eu queria. Eu vou apenas me focar completamente na minha música. Eu tenho vários festivais de verão chegando. Já decidi.

PM: Qual é a sua recepção na America versus na Europa?

Z: Eu acho, num geral, que Americanos se preocupam menos em parecer descolados. Na América eles gritam e cantam junto. Eles estão se divertindo mais. Menos em lugares tipo LA, onde todos são “descolados”.

PM: Verdade. Você sente que quando você está em LA, você tem que engajar nisso? Sabe, sair e ser vista?

Z: Não, não mesmo, eu nunca seria tipo “Tem esse evento agora, meu Deus!”

PM: Certo, tipo, “Me passa o seu Insta!”

Z: Definitivamente não, eu não suporto isso. Tem tantas pessoas assim em LA. Tantas pessoas vem até mim com tipo, vários milhões de seguidores no Instagram, e falam que “Nós devíamos ter um brunch amanhã!”. Eu não te conheço. Eu não quero ter um brunch com você! Eles acham que só porque temos vários seguidores, podemos ser amigos. Não.

PM: Eu sei que você tem falado abertamente sobre as suas frustrações em como o mundo funciona, o que meio que te deu o título de “ativista” – especialmente sobre as questões femininas. O quão severa é essa reação? Você geralmente é chamada de “odiadora de homens”, isso é frustrante?

Z: Na verdade não, porque eu meio que odeio homens, secretamente. Quando as pessoas me chamam de “odiadora de homens” eu fico tipo, “é”.

PM: Só “hey, sim, essa sou eu, olá.”

Z: Eu não acho que odiar os homens é feminismo, mas eu realmente apoio isso, sabe. Eu entendo porque as pessoas odeiam os homens. Não são nem os homens, mas o Patriarcado. Eu odeio isso. Isso ainda existe por conta dos homens. Mulheres são oprimidas por causa dos homens. Não é uma completa mentira. Pessoas se focando no fato de eu ser uma ‘pessoa que odeia homens’ é muito irrelevante, na minha opinião. Quem liga se eu não gosto dos homens num grupo? Não é um problema. Não machuca ninguém. Eu fico chateada porque o mundo odeia as mulheres. Mulheres são estupradas por homens, acusadas, assassinadas, assediadas, discriminadas. É uma reação natural estar chateada.

PM: Nesse sentido, como é ser uma mulher jovem na indústria musical? Você acha que as pessoas acham difícil distinguir entre você como artista que precisa ser levada a sério e uma garota de 19 anos?

Z: Definitivamente. Muitas vezes eu me senti desconfortável ou como se eu quisesse sair daquele lugar. Geralmente eu sou a única garota no estúdio rodeada por homens mais velhos… é meio assustador. É meio difícil não ser um homem.

PM: Teve alguma situação específica onde você apenas pensou “Me tirem daqui”?

Z: Ah claro, algumas. Uma foi com o meu antigo A&R e eles começaram a falar sobre a Beyoncé. Todo mundo sabe que eu amo a Beyoncé. Esses caras começaram a falar sobre como a Beyoncé nunca seria tão grande quanto ela é sem o Jay-Z, e como ela é o acessório dele.

PM: Ok, quê?

Z: Eu estava tipo “O quê você disse? Você acabou de chamar a Beyoncé de Acessório do Jay-Z?” Então por algum motivo ele começou a falar sobre o tamanho do pênis dele. No estúdio. Foi muito desconfortável.

PM: Isso é insano. Você também já falou sobre não ter a melhor experiência com o Dr. Luke. Quão frequente isso acontece, quando você sente que seus produtores não tem os seus melhores interesses?

Z: Eu definitivamente já passei por alguns bocados. Por exemplo no estúdio uma vez, era bem tarde, tinha tipo uma festa. Eu entrei com a minha amiga, minha amiga mulher. Ele disse para mim “Nós temos uma música, é sobre garotas e nós queríamos que fosse cantada por uma garota.” Eles tocaram e eu e minha amiga nos olhamos e eu disse “Não, eu realmente não cantaria isso sendo uma garota.” eles se viraram e falaram tipo “Sim você deveria, é isso que você deveria dizer.” E eu fiquei tipo: calma aí, tem uns 10 caras aqui. Isso é muito comum. Eles escrevem uma música para uma garota sobre uma garota mas a única opinião que importa é a de um homem. Alguém vai opinar como eu estou, por isso eu sempre tenho alguém comigo no estúdio.

PM: Certo, devem ter muitas discussões também em como você se apresenta, como você constrói sua imagem, entre esses caras.

Z: Absolutamente.

PM: Como você lida com isso?

Z: Eu não lido. Às vezes você tem que escolher as suas batalhas. Quando você diz que eu sou uma ativista, eu não sou tanto quanto eu gostaria de ser. Eu amaria ser uma, mas eu não acho que mereço ser chamada assim. Eu costumava escrever muito, sobre as questões femininas. Você consegue vários contra-ataques. Você consegue muito ódio dos anti-feministas, então eu só dei um tempo. Está tudo bem tomar um tempo. Está tudo bem em dizer “eu vou descansar por um minuto” e apoiar pessoas como a Zendaya e Amandla. É muito, muito difícil estar constantemente rodeada por pessoas que querem te levar pra baixo, porque as pessoas querem te deixar pra baixo. Entende?

PM: Certo, e vários artistas estariam contentes em dizer muito menos do que você acabou de falar, de qualquer forma. Você fala sobre o Trump. Você é política.

Z: Sim, isso é verdade. Absolutamente. É assim que sou como pessoa.

PM: Você já parou pra pensar em como isso afetaria sua carreira?

Z: Não, na verdade, eu quero que as pessoas saibam no que eu acredito e o que eu penso. Claro que tem outros artistas por aí que, como você disse, não falam sobre nada porque eles tem medo de ter fãs que apoiam o Trump. Se alguém escolher não seguir a minha música porque essa pessoa gosta de alguém que discrimina basicamente todas as minorias no mundo, está tudo bem. Direitos humanos são mais importantes que a minha carreira.